segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Carnal vão

Eu sambo sozinha e sem reclamar
Eu sigo o enredo em cima do salto
Já fui rainha da bateria
A que todos queriam
Mas solitária e só no sapato
Não sou mais realeza
Mas sigo a sambar
Com a força da perna e menos beleza
Com enredo na língua e muita destreza
Eu vou à frente e ouço a música
Não olho pra trás, pois
A bateria pode me atropelar
Eu sambo sozinha sem mestre sala
Na avenida eu cumpro o percurso
Danço bonito e todos me olham
Pensam que é assim que se deve sambar
Eu sambo sozinha
Mas quem não está?

domingo, 1 de janeiro de 2012

O CU DE DONA ALICE

Minha avó,  Dona Alice, querendo me aconselhar acerca do desejo desenfreado masculino, me contou um 'causo', que segundo ela teria acontecido com 'uma amiga próxima' dela:
- Amorzin, estive pensando....
- Fala Gerson! Cê sabe que não gosto quando você fica de 'prosa pelas metades'!
- É que não sei como você vai entender...
- Uai homi! Se você não 'desembuchar' eu não vou entender nada...
- Queria te pedir um trem... Na verdade é uma prova de amor... Muito dos meus amigos já pediram para as esposas...
- Uhm...
- Morzin meu... Você podia me dar seu cu?
-Ah... É isso? Como você sabe disso? Achei que só eu sabia!
- Uai... Sabe como é homem né... No botequim os homens bem amados não cansam de se gabar do 'amor incondicional' de suas mulheres.
- Mas todas deram assim?
- Se todas deram, eu não sei, mas que eles se gabaram...
- Tá bom. Vou pensar. Mas isso não é algo que se faça exposição por aí! Além disso, quero procurar a minha médica, que poderá me ajudar...
- Jura morzão? Mas quando? Quando eu terei teu cu?
- Se tudo der certo, e a médica tiver horário para me receber, na segunda mesmo...
Gerson se preparou para o grande dia. Tinha ouvido toda espécie de história acerca do procedimento. Comprou vaselina, e, por via das dúvidas, levou em um pote banha de porco, que ele achava mais confiável e natural.
Enfim chega segunda-feira, Gerson trouxe vinho caseiro - ajudaria a relaxar os ânimos e musculatura da amada.
Chega então a mulher, pernas abertas, mancando, se apoiando na porta, na parede, na mesa.
-Que aconteceu 'muiédideus'? Que esta médica te fez?
- Uai, ela fez o que você tanto queria e me encheu a paciência a semana toda!
-Como assim muié?
-Pera aí que eu te mostro.
A mulher pega na bolsa um potinho com algo que lembraria um tomate cereja se víssemos separadamente da parte que claramente trazia terminações nervosas e sangue.
- Tái o cu que ocê tanto queria! Nunca entendi como ocê sabia que tinha este probleminha. Também achei estranho você querer isso aí! A médica perguntou por que queria levar para casa esta hemorróida, e eu disse que era para encarar a tinhosa frente a frente! Ela falou que devo evitar 'ter relação cocê’ por três meses no mínimo e que tenho que trocar o curativo duas vezes ao dia.
- Benzinho, como você teve coragem?
- Se você queria tanto uma parte de mim, ela é sua, mas não me venha com estas idéias de malandro de botequim, pois Gerson, hoje eu entendi que 'pimenta no cu dos outros é refresco'!
Diante de tamanha prova de amor, Gerson nada disse. Sabia que aquela mulher faria qualquer coisa para agradá-lo.
Vovó acabou o 'causo' falando que as mulheres de antigamente faziam 'de um tudo' pelos maridos e pelo casamento.
Ainda bem que 'dar o cu' é mais fácil hoje... Mas já mostrava minha avó, que não é todo mundo que gosta e tem coragem.
Por coincidência meu falecido avô se chamava Gerson.
Acho mesmo que ele foi cremado com o cu da minha avó. Mas ela acha abuso eu perguntar 'essas intimidades'.